sábado, 9 de maio de 2015

Rosa

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Tu és divina e graciosa
Estátua majestosa
No amor!
Por Deus esculturada
E formada com ardor...
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida
Pelo beija-flor...
Se Deus
Me fora tão clemente
Aqui neste ambiente
De luz, formada numa tela
Deslumbrante e bela...
Teu coração
Junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado
Sobre a rosa e a cruz
Do arfante peito teu...
Tu és a forma ideal
Estátua magistral
Oh! alma perenal
Do meu primeiro amor
Sublime amor...
Tu és de Deus
A soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração
Sepultas um amor...
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes
Cheios de sabor
Em vozes tão dolentes
Como um sonho em flor...
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim
Que tem de belo
Em todo resplendor
Da santa natureza...
Perdão!
Se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh! flor!
Meu peito não resiste
Oh! meu Deus
O quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar
Em esperar
Em conduzir-te
Um dia ao pé do altar...
Jurar aos pés do Onipotente
Em preces comoventes
De dor, e receber a unção
Da tua gratidão...
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de envolver-te
Até meu padecer
De todo fenecer...
Pixinguinha

Coisa boa é Deus quem dá....

... Besteira é a gente que faz

quinta-feira, 7 de maio de 2015

10 contos de até 100 caracteres



O marido morreu de tifo, a filha mais velha se perdeu e o frio, que foi bom.
AGATHA COUTO, GOIÂNIA – GO

Em Vênus, Jack olhou na água e encontrou a única coisa que ele apostaria não encontrar lá: um homem.
ALAN CRISTIE, RIO DE JANEIRO – RJ

No começo, descrença. Depois, medo, ao ver Bob — tão pequeno — olhando para a faca daquele jeito.
ALESSANDRO GARCIA, PORTO ALEGRE – RS

Dei-lhe um beijo e pronto. Foi tudo o que eu queria naquela noite. Não pedi telefone nem o nome.
ALEX ANDRADE, RIO DE JANEIRO – RJ

No farol, o menino estende a mão ao carro. Usa nariz de palhaço. Os olhos refletem o brilho do sol.
ALEXANDRE STAUT, SÃO PAULO – SP

Lá do alto, a lua me sorria. Talvez porque, como eu, encontrou alguém que lhe fizesse bem.
ALISSON WYNFRITH, GOIÂNIA – GO

Quando apertou o gatilho, Mylena não imaginava que o disparo levaria 100 mil anos para atravessar o universo.
ANDERSON FONSECA, BREJO SANTO – CE

Adão tinha de tudo. Celular, mp3, Marlboro. É que Solange, adepta do pompoarismo, tirava de letra as revistas íntimas.
ANDRÉ TIMM, PORTO ALEGRE – RS

–– Se for o Capeta, diz que eu tô no banho.
ANDREA DEL FUEGO, SÃO PAULO – SP

saía sempre de terno, mas adorava saia e salto alto, bem alto.
ARTHUR PORTO, GOIÂNIA – GO


domingo, 3 de maio de 2015

Se você me conhece um pouquinho...

... sabe o quanto eu gosto dessa música do Genesis. Aqui muito bem interpretada pelo grande John Wetton. A melhor interpretação ainda é com Collins, mas não importa. I miss you moooooooooooooore...

Steve Hackett - "Afterglown"


Velhice e Mocidade

"A fantasia, minha agora, nesta conversa – o senhor me atalhe. Se não, o senhor me diga: preto é preto? branco é branco? Ou: quando é que a velhice começa, surgindo de dentro da mocidade."

João Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Canção Báquica (1825)

Que fez calar a alegre voz?
Ressoai, canções licenciosas! 
Bem-vindas, moças carinhosas 
E esposas tão jovens que amáveis a nós! 
As taças enchei sem tardança!
No vinho a espumar, 
No fundo, o jogar 
Vinde (e ouvi-las soar) cada aliança! 
Cada taça se erga, de vez seja finda! 
Bem-vindas, ó musas; Razão, sê bem-vinda! 
Astro sagrado, arde tu, sol! 
Como o lampião empalidece
Ao claro surgir do arrebol, 
Assim o saber falso hesita e esvanece 
Ante o imortal sol da Razão.
Bem-vindo sê tu, sol; vai-te negridão!

Alexander Púchkin  
Tradução de José Casado