As guitarras do Genesis e do Yes aprontando muito… bem!
GTR – “The Hunter”
Ele era um menino valente e caprino,
Um pequeno infante, sadio e grimpante.
Anos tinha dez e asas nos pés.
Com chumbo e bodoque era plic e ploc.
O olhar verde-gaio, parecia um raio
Para tangerina, pião ou menina.
Seu corpo moreno vivia correndo,
Pulava no escuro não importa que muro,
Saltava de anjo melhor que marmanjo
E dava o mergulho sem fazer barulho.
Em bola de meia, jogando de
Meia-direita ou de ponta,
Passava da conta de tanto driblar.
Amava era amar:
Amava Leonor, menina de cor.
Amava as criadas varrendo as escadas,
Amava as gurias da rua, vadias.
Amava suas primas com beijos e rimas.
Amava suas tias de peles macias.
Amava as artistas das cine-revistas.
Amava a mulher a mais não poder.
Por isso fazia seu grão de poesia
E achava bonita a palavra escrita.
Por isso sofria de melancolia,
Sonhando o poeta que quem sabe
Um dia poderia ser
Toquinho/Vinícius
Um homem com uma dor
É muito mais elegante
Caminha assim de lado
Com se chegando atrasado
Chegasse mais adiante
Carrega o peso da dor
Como se portasse medalhas
Uma coroa, um milhão de dólares
Ou coisa que os valha
Ópios, édens, analgésicos
Não me toquem nessa dor
Ela é tudo o que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra
Paulo Leminsky
O que quer dizer diz.
Não fica fazendo
o que, um dia, eu sempre fiz.
Não fica só querendo, querendo,
coisa que eu nunca quis.
O que quer dizer, diz.
Só se dizendo num outro
o que, um dia, se disse,
um dia, vai ser feliz.
Paulo Leminsky