segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Por isso piro na literatura russa

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Tolstoi sustenta que imaginar que as personalidades históricas determinam os acontecimentos não passa de uma demonstração de colossal megalomania e auto-ilusão. Tolstoi imagina que ele e outros conseguirão encontrar o caminho que conduz à verdade sobre a conduta das pessoas observando as pessoas simples e estudando os Evangelhos. O lazer não precisa, portanto, ser simplesmente destrutivo. O progresso pode ocorrer: podemos aprender com o que aconteceu no passado, o que não se dá com aqueles que viveram nesse mesmo passado. 

Ah, aquele 5150 fez história!

Van Halen - "Love Walks In"

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Você não sai da minha cabeça...

Firmamento

O que é que eu vou fazer agora
Se o teu sol não brilhar por mim
Num céu de estrelas multicoloridas
Existe uma que eu não colori

Sorte, sorte na vida, filhos feito de amor
Todo verbo que é forte
Se conjuga no tempo
Perto, longe o que for

Você não sai da minha cabeça
E minha mente vôa
Você não sai, não sai ,não sai..

Orlando Morais

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Sempre Guimarães

"Que era: que a gente carece de fingir às vezes que raiva tem, mas raiva mesmo nunca se deve de tolerar de ter. Porque, quando se curte raiva de alguém, é a mesma coisa que se autorizar que essa própria pessoa passe durante o tempo governando a idéia e o sentir da gente; o que isso era falta de soberania, e farta bobice, e fato é."
.
- João Guimarães Rosa, em "Grande Sertão: Veredas".

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Carta de um Contratado

Eu queria escrever-te uma carta amor,
Uma carta que disse-se deste anseio!
Deste anseio de te ver!
Deste receio de te perder!
Deste mais bem-querer que sinto!
Deste mal indefinido que me persegue!
Deste saudade em que vivo todo entregue!
Eu queria escrever-te uma carta amor!
Eu queria escrever-te uma carta amor…
Uma carta de convivências íntimas!
Uma carta de lembranças de ti!
De ti, dos teus lábios vermelhos como tacula!
Dos teus cabelos negros como diloa!
Dos teus olhos doces como mecombe!
Dos teus seios duros como maboque!
Do teu andar de onça!
E dos teus carinhos!
Que maior não encontrei por aí!
Eu queria escrever-te um carta amor,
Que recorda-se nossos dias na capopa!
Nossas noites perdidas no capim!
Que recorda-se a sombra que nos caía dos gampos!
O luar que sequava das palmeiras sem fim!
Que recorda-se a loucura da nossa paixão!
E amargura da nossa separação! …
Eu queria escrever-te uma carta amor,
Que no lesses sem suspirar!
Que a escondesses do papai Pongo!
Que a sono negasse na niquieza!
Que a relesses sem a infruieza!
Sem a infruieza do esquecimento!
Uma carta que em todo o quilombo,
Outra a ela não tivesse merecimento!
Eu queria escrever-te uma carta amor!…
Eu queria escrever-te uma carta amor,
Uma carta que te levasse o vento que passa!
Uma carta que os cajus e cafeeiros!
Que as hienas e palancas!
Que os jacarés e bagres!
Pudessem entender!
Para que se o vento a perdesse no caminho,
Os bichos e as plantas!
Compadecidos dos nossos plugente sofrer,
De canto em canto!
De lamento em lamento!
De farfalhar e farfalhar!
Te levassem puras e quentes!
As palavras ardentes!
As palavras magoadas da minha ir dar-te!
Que eu queria escrever-te amor!
Eu queria escrever-te uma carta
Mas… há meu amor…
Eu não sei compreender porque é!
Porque é meu bem!
Que tu não sabes ler!
E nem eu… pró desespero… não sei escrever também!!!


Antonio Jacinto

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Soneto do Amor Total



Amo-te tanto, meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Vinícius de Moraes