sexta-feira, 25 de abril de 2014

Alvaro de Campos

"Feliz o homem marçano
Que tem a sua tarefa quotidiana normal, tão leve ainda que pesada, Que tem a sua vida usual,
Para quem o prazer é prazer e o recreio é recreio,
Que dorme sono,
Que come comida,
Que bebe bebida, e por isso tem alegria. "

Mas Eu

Mas eu, em cuja alma se refletem
As forças todas do universo,
Em cuja reflexão emotiva e sacudida
Minuto a minuto, emoção a emoção,
Coisas antagônicas e absurdas se sucedem — 

Eu o foco inútil de todas as realidades,

Eu o fantasma nascido de todas as sensações,
Eu o abstrato, eu o projetado no écran,
Eu a mulher legítima e triste do Conjunto
Eu sofro ser eu através disto tudo como ter sede sem ser de água. 

                                                                                   Álvaro de Campos

Caricatura


quinta-feira, 24 de abril de 2014

29 de Novembro de 2013

Um momento emocionante: o avô e o pai da Sofia vieram nos agradecer. Ela nasceu em um carro no dia anterior ao da foto na frente do Colégio Palmares. Foi de arrepiar... Que Deus abençoe essa galera e essa criança, sempre!

terça-feira, 22 de abril de 2014

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Quando eu te encontrar

Eu já sei o que meus olhos vão querer
Quando eu te encontrar
Impedidos de te ver
Vão querer chorar
Um riso incontido
Perdido em algum lugar
Felicidade que transborda
Parece não querer parar
Não quer parar
Não vai parar
Eu já sei o que meus lábios vão querer
Quando eu te encontrar
Molhados de prazer
Vão querer beijar
E o que na vida não se cansa
De se apresentar
Por ser lugar comum
Deixamos de extravasar, de demonstrar
Mas nunca me disseram o que devo fazer
Quando a saudade acorda
A beleza que faz sofrer
Nunca me disseram como devo proceder
Chorar, beijar, te abraçar
É isso que quero fazer
É isso que quero dizer
Eu já sei o que meus braços vão querer
Quando eu te encontrar
Na forma de um "C"
Vão te abraçar
Um abraço apertado
Pra você não escapar
Se você foge me faz crer
Que o mundo pode acabar, vai acabar
Mas nunca me disseram o que devo fazer
Quando a saudade acorda
A beleza que faz sofrer
Nunca me disseram como devo proceder
Chorar, beijar, te abraçar
É isso que quero fazer
É isso que quero dizer
Biquini Cavadão

30 coisas que você nunca vai ouvir de um paulistano

1. Vem de carro? Pega a Rebouças, melhor coisa.
2. A avenida do Estado está cada vez mais aconchegante.
3. Pra mim chega, vou me mudar pra Guarulhos.
4. Um minhocão é pouco, tinha que ter uns cinco.
5. Eu pego a linha cento e setenta e sete ípsilon traço dez.
6. Ah, o São Vito… Doces memórias.
7. Você está certo, caro ciclista, aquela luz vermelha é pra todo mundo menos pra você.
8. Nossa, achei que você, que está com colete laranja e prancheta na Paulista, nunca viria falar comigo. Pois não?
9. Não sei onde você mora, mas em SP todos os taxistas sabem chegar a qualquer lugar. E rápido.
10. Pode sair do vagão, eu espero.
11. A 23 tá uma delícia.
12. Os motoboys estão buzinando pouco, que estranho.
13. Pelo menos o taxista veio ouvindo Sonic Youth. 
14. Pitta, melhor prefeito.
15. Ponte Octavio Frias de Oliveira
16. Meu sonho é entrar na Uninove.
17. Fui comprar um apartamento nos Jardins, estava tão barato que acabei levando dois.
18. Nunca ponho nome na lista.
19. O bom do Morumbi é que é perto de tudo.
20. Quero o dog só com salsicha, sem nada.
21. Véspera de Natal? Vai na 25 que você resolve tudo rapidinho.
22. Põe uma roupa de banho que a gente vai nadar no rio.
23. A conexão entre as estações Consolação e Paulista foi muito bem planejada.
24. Essa chuvinha aí não alaga nada.
25. O tempo hoje está bem normal.
26. Prefiro deixar o carro num estacionamento na Paulista e pegar o metrô.
27. Não é fofa a senhorinha alimentando esses 89 pombos na praça da Sé?
28. Sou eu ou a Augusta à noite está mais silenciosa?
29. Se o carro da frente está parado, há um motivo simples para isso, não preciso buzinar.
30. Tô saindo aqui da Berrini agora às 19h, vou passar rapidinho em casa em Santana pra trocar de roupa e te encontro na Lapa. Sim, ainda hoje.

domingo, 20 de abril de 2014

terça-feira, 15 de abril de 2014

A espantosa realidade das cousas

A espantosa realidade das cousas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada cousa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra, E quanto isso me basta.

Basta existir para se ser completo.

Tenho escrito bastantes poemas.
Hei de escrever muitos mais. naturalmente.

Cada poema meu diz isto,
E todos os meus poemas são diferentes,
Porque cada cousa que há é uma maneira de dizer isto.

Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada.
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.

Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.

Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;
Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem estorvo, Nem idéia de outras pessoas a ouvir-me pensar;
Porque o penso sem pensamentos
Porque o digo como as minhas palavras o dizem.

Uma vez chamaram-me poeta materialista, E eu admirei-me, porque não julgava
Que se me pudesse chamar qualquer cousa. Eu nem sequer sou poeta: vejo.

Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
O valor está ali, nos meus versos.
Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade. 

Alberto Caeiro

domingo, 13 de abril de 2014

sábado, 12 de abril de 2014

V

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela. Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

                                                                                   Alberto Caeiro 

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Dia Eterno

Silêncio em mim
Espelhos planos
Saídas falsas, vôo, solidão
Só esperando
Vagando em seu olhar
Tudo é deserto, estranho lugar

Você sabe que não temos tempo
Dia eterno, noite escura adentro

Na escuridão
Relembrando planos
Quem se erguerá com o fogo nas mãos?
Adormecido
Eu o vi chegando
Na madrugada o sol vai brilhar

Você sabe que não temos tempo
Dia eterno, noite escura adentro

Seus reflexos, luzes constantes
Apontam pra muito distante

Você sabe que não temos tempo
Tempestades, noite eterna adentro

                                                                                      Violeta de Outono

sábado, 5 de abril de 2014

Reconhecimento

O que cada um está pensando?

Saudade

Saudade de tudo!...

Saudade essencial e orgânica,
de horas passadas,
que eu podia viver e não vivi!...

Saudade de gente que eu não conheço,
de amigos nascidos noutras terras,
de almas órfãs e irmãs,
de minha gente dispersa,
que talvez hoje ainda espere por mim....

Saudade triste do passado,
saudade gloriosa do futuro,
saudade de todos os presentes
vividos fora de mim!...

Pressa!...
Ânsia voraz de me fazer em muitos,
fome angustiosa da fusão de tudo,
sede da volta final
da grande experiência:
uma só alma em um só corpo,
uma só alma-corpo,
um só,
um!...
Como quem fecha numa gota
o Oceano,
afogado no fundo de si mesmo...

                                                              João Guimarães Rosa - Magma

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Tendo a Lua

Eu hoje joguei tanta coisa fora
Eu vi o meu passado passar por mim
Cartas e fotografias gente que foi embora
A casa fica bem melhor assim

O céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu
E lendo teus bilhetes, eu lembro do que fiz
Querendo ver o mais distante e sem saber voar
Desprezando as asas que você me deu

Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares,
Mas de bailarinos
E de você e eu

Eu hoje joguei tanta coisa fora
E lendo teus bilhetes, eu lembro do que fiz
Cartas e fotografias gente que foi embora
A casa fica bem melhor assim

Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares,
Mas de bailarinos
E de você e eu

Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares,
Mas de bailarinos
E de você e eu.

Paralamas do Sucesso